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Guia Técnico Ambiental sobre Tintas e Vernizes

Ontem li no site da Inovação Tecnológica que uma equipe da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, afirma ter descoberto uma forma de revolucionar a impressão tradicional, abolindo as tintas, fazendo uma impressão em cores totais que fica pronta em um instante e que é capaz de reproduzir as cores encontradas na natureza.

De acordo com eles, o avanço da microscopia permitiu que eles compreendessem como as cores vistas na natureza, principalmente os padrões iridescentes e ultrabrilhantes encontrados nas penas dos pássaros, nas asas das borboletas e nas carapaças de vários insetos cores vivas podem ser facilmente reproduzidas.

Enquanto essa tecnologia não está desenvolvida para uso comercial, segue um grande achado para nós designers, o Guia Técnico Ambiental sobre Tintas e Vernizes, disponível no site da ABRAFATI, fruto da parceria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).

O Guia explica detalhadamente o processo de fabricação das tintas líquidas e em pó e vernizes desde a pesagem dos elementos até o envase, seus componentes e matérias-primas, termos técnicos, os aspectos e impactos ambientais e ainda medidas para uma produção mais limpa.

Indispensável para quem quer entender mais sobre esse componente primordial dos impressos.

#ficadica:  A tinta vermelha é uma das que mais demora para secar, portanto nos trabalhos urgentes, cuidado!

Fornecedores gráficos – Greenwashing

Semanalmente recebo diversos mostruários de fornecedores gráficos querendo fazer trabalhos aqui para a empresa. A maioria manda um envelope comum (offset ou couchet) e alguns trabalhos como exemplo e uma cartinha de apresentação e a listagem das máquinas e serviços.

Impresso antes de abrir.

Ontem chegou em minhas mãos, o material de uma gráfica – que até então prefiro não citar o nome – vendendo a idéia de ser uma empresa reciclável e ecológicamente responsável. A primeira vista tudo OK: formato fechado 20 x 20 cm impresso em policromia (4×4 – CMYK),  conceito “eco” todo pensado (uma mão segurando um montinho de terra com uma árvore nascendo), selo de reciclado no verso, material fechado nas dobras, sem uso de cola quente. No interior a tal cartinha de apresentação com 19 x 19 cm, um postal de 14 x 9 cm e uma tabela de aproveitamento de papel com as folhas 89 x 117 cm, 76 x 112 cm, 66 x 96 cm e 64 x 88 cm. Hum…., pensei eu!

De primeira não percebi as reais intenções do material.

Abri todo material, espalhei na mesa e mais uma vez vi a grande jogada que começou a pintar ultimamente: todo mundo quer ser verde! Os fornecedores começaram a perceber a demanda pelo ecodesign, a impressão limpa, o sustentável, e como o tilintar das moedas começou a ecoar mais alto, todo mundo quer por o seu pézinho em Gaia.

O kit completo: pasta, posta, carta de apresentação e tabela de corte.

Analisando o material: plastificação e textura reciclada

O kit promocional bate de frente com a proposta de vender a gráfica como uma opção ecológica e o fuzilamento do próprio pé continuou com a análise do kit.

Todos os impressos estavam plastificados e impressos em 4×4 (CMYK), a salvo a tabela de aproveitamento de papel, que impressa em papel off-set, 2 cores e 1 dobra, era a mais pertinente. Ainda assim poderia ser impressa em uma cor, o que não diminuiria em nada o projeto.

A carta de apresentação, em “papel reciclato”, tinha um detalhe curioso: a logo da empresa apresentava uma grande área branca. Adesivo? Um calço com tinta branca? Não! Ela estava lá branquinha, limpinha como um digno couché texturizado com reciclado. A malandragem usada muitas vezes em anúncios e impressos em geral, dava as caras novamente. A não ser que já tenham lançado um papel reciclado com um lado “sujo” e o outro branco, fica difícil acreditar!

Detalhe do "papel reciclado" branco.

O postal que repetia as informações da carta poderia ter sido eliminado do kit. O verso, com uma foto de um bucólico bosque de árvores nativas, ajudava na queimada de filme com os seguintes dizeres: “100% do papel utilizado pela XXX Gráfica é reciclado ou provém de floresta plantada”. Não acredito que estejam usando o papel Silprint e até onde sei todas as árvores são plantadas. Escreveu, não leu, o pau comeu!

O último material analisado foi a embalagem de envio. As soluções mais usuais para oferecer maior proteção e durabilidade aos impressos é laminação, plastificação ou o uso de sacos plásticos. Nesse caso optou-se pela plastificação e o aumento da gramatura e ao menos não houve o uso de sacos plásticos. Já o fechamento da peça foi feito com um selinho adesivo plastificado e impresso em policromia pareceu ser uma opção rápida. Vale lembrar que há muitas opções de fechamento sem o uso de colas, utilizando dobras e encaixes.

Greewashing?

Greenwashing funciona mais ou menos assim: o sujeito vai lá, planta uma árvore, cortar dez e divulga que ajuda o meio ambiente porque plantou uma, omitindo o corte das dez. Trata-se do uso de idéias ambientais para construção de uma imagem pública positiva de “amigo do meio ambiente”, não é condizente com a real gestão, negativa e causadora de degradação ambiental.”

Na Wikipédia, “Greenwashing (traduzido geralmente como “branqueamento ecológico”) é um termo utilizado para designar um procedimento de marketing utilizado por uma organização (empresa, governo, etc) com o objectivo de dar à opinião pública uma imagem ecologicamente responsável dos seus serviços ou produtos, ou mesmo da própria organização. Neste caso, a organização tem, porém, uma actuação contrária aos interesses e bens ambientais“.

Um post bem interessante sobre greenwashing no blog Faça a sua parte fala de maneira abrangente sobre a prática e cita vários links legais. Outro post que curti foi o “Nem tão responsáveis assim” no blog ComCiência, onde é citada a dissertação de mestrado da bióloga Ana Flávia Ferro, demosntrando que algumas empresas brasileiras têm adotado essa prática como um diferencial que gera vantagens competitivas.

Um outro lado da moeda é o greenhushing onde as empresas, com medo de serem taxadas de marketeiras, não publicam suas ações ambientais, o que pode acabar sendo tão danoso quanto a mentira verde. Para quem sabe inglês, segue o link para o post sobre greehushing no TreeHugger.

Para finalizar fica a pergunta: você acha que deveria postar as imagens do kit da gráfica sem omitir a logo deles?

PENSE: Invés de grampear folhas dos layouts, utilize clipes que podem ser reutilizáveis.

Produção gráfica sustentável: Um estudo para designers

Aconteceu nos dias 5 e 6 de novembro, na Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo, o II Simpósio Brasileiro de Design Sustentável.

O Simpósio Internacional sobre Design Sustentável (ISSD), organizado em conjunto com o Simpósio Brasileiro de Design Sustentável (SBDS), são os mais importantes eventos científicos da América do Sul sobre a questão do Design Sustentável. O evento reúniu designers profissionais, acadêmicos, governo e indústria para discutir conceitos, ferramentas e metodologias sobre a concepção e contribuição para uma sociedade mais sustentável.

Segue abaixo as impressões da Elisa Quartim Barbosa do blog ótimo que sigo sempre Embalagem Sustentável.

Produção gráfica sustentável: Um estudo para designers
Everton Baria, orientação de Regina Wilke

Nele foi apresentado o impacto de todos os materiais usados em gráficas, desde as tintas até a estopa para a limpeza. Organizado em uma tabela, facilita o designer a precionar as gráficas a melhorar seus processo de impressão.

Baixe o PDF com o o artigo completo aqui.

PS: Ainda não li mas em breve comento.

Via Embalagem Sustentável.

101 coisas que os designers podem fazer para salvar a Terra

O blog 101 Coisas que os designers podem fazer para salvar a Terra – inspirado em um worshop – foi criado pela inspirado pela School of Visual Concepts de Seattle em cooperação com o Instituto Americano de Artes Gráficas (AIGA-Seatle). O workshop ocorreu em 6 de junho de 2009 e o blog disponibiliza as apresentações dos palestrantes.

Na verdade são mais de 101 dicas que vão sendo coletadas e divulgadas. É uma ótima fonte para estudos.

Estão de parabéns.

Reaproveitando a primeira impressão

ecocard1

Semana passada passei a acompanhar no Brainstorm9 um post sobre uma consultora ambiental e seu cartão de visitas. O trabalho em si não achei tão novidade pois já conhecia a idéia e até cheguei a produzi um projeto parecido para o Ciclo Natural quando projetava os cartões do grupo.

Muitas idéias foram debatidas, posições defendidas e por vezes o clima chegou a ficar tenso entre quem acompanhava, mas o que me chamou atenção foram as opiniões diversas e, muitas vezes, controversas sobre a viabilidade do projeto e seu impacto. A maioria das críticas negativas se valeu do argumento que o material era feio, que ninguém ia gostar de receber um pedaço de lixo, que a peça era “pseudo-ecológica, marketing enganoso“, e que lugar de lixo é no lixo. Mas se a consultora é ambiental, ela provavalmente trabalha com lixo ou com algo do tipo. E eis a grande sacada, valer-se de seu objeto de estudo para comunicar.

Essa característica me fez perceber como a maioria das pessoas tem dificuldade em encarar o lixo como fonte de matéria-prima a partir do reaproveitamento de materiais. Isso reflete-se no cotidiano e demonstra a falta de prática em estabelecer uma nova relação de realidade com um dos maiores problemas mundiais.

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Normalmente um cartão comercial utiliza papel com gramatura próxima de 230g/m, tintas solventes inorgânicos e metais pesados em sua composição em ambos os lados (4/4), laminações e verniz localizado. O principal é perceber o quanto poupa-se e diminui-se o impacto ambiental com um projeto como esse.

Primeiro o papel não precisará ser produzido nem reciclado. Ele ja está lá e não irá diretamente para o lixo, aumentando o seu tempo de aproveitamento. Depois, não gasta-se energia elétrica para o funcionamento de máquinas em gráficas, já que o processo é todo feito manualmente. O máximo que poderá acontecer é o material voltar ao lixo com os dados da consultora impressos. As tintas para carimbo normalmente apresentam base de álcool e materiais voláteis, que são menos agressivas que as tintas offset. Pode se dizer ainda que na produção do carimbo usa-se plástico e metais e que sua produção polui o ambiente,  é poluente, porém temos que lembrar que a utilização é reutilizável diversas vezes.

Para produzir-se uma folha de papel em branco, reciclada, com coat ou sem coat, corta-se árvores e gasta-se energia e se emite poluição o suficiente. Já você pegar um papel que não terá uso e reaproveita-lo para divulgar a sua informação, é um processo bem mais limpo. Quando no final das contas, a função de um cartão de visitas é tornar-se lembrado em meio a tantos outros que recebemos,  este o projeto já fala por si. Para alguns designers um simples pedaço de papel velho,  para os clientes um pedaço de “lixo” cheio de significados. A Natureza agradece.

Papel reciclado x papel certificado

Há tempos  a moda de usar papel reciclado nos departamentos das empresas pegou mesmo. Fora os folhetos de bancos, contas de luz, cartas do banco e qualquer impresso que quer parecer mais verde. Até textura de papel reciclado impressa em papel couché virou moda!

O que muita gente não sabe é que a posição conseguida pelo reciclado está mudando. Foram anos para as pessoas perderem o preconceito contra aquele papel “sujinho”, que não imprimia bem e não oferecia uma boa fidelidade de cores nas imagens: “Fica tudo morto, meio lavado!”, “Meu folder vai ficar com cara de sujo???”, “Parece papel de pão!”. De uma hora para a outra todo mundo quis virar “ecologicamente correto” e estampar sua cara de um jeito, digamos, mais natural.

paper.fscCom a certificação atestada em selos como o FSC, que indica que a matéria-prima provem de áreas manejadas sustentavelmente, e o Carbon Footprint – que informa ao consumidor o total de carbono que o produto emite na atmosfera, o papel branco consegui reduzir o impacto ambiental e a emissão de carbono na sua produção. O que antes era desmatamento predatório agora virou desenvolvimeto sustentável.

Mas nem tudo é tão simples quanto parece. De acordo com  José Maria Gusman Ferraz, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, apesar de o papel certificado ter vantagens enormes sobre o papel branco comum, a reciclagem é ainda mais ecológica. “O papel reciclado não necessita de uma nova derrubada de árvores, portanto ele tem vantagens sobre o papel branco de origem certificada, por melhor que sejam as práticas em seu plantio e processamento”, diz.

A mudança é decorrente da redução de custos por parte dos grandes consumidores de papel e também da melhora dos padrões ambientais da indústria papeleira, por exigência de clientes internacionais. “O papel branco de origem certificada é equivalente ao papel reciclado, em termos de impacto ambiental, pois ambos têm origem em florestas plantadas”, afirma Elizabeth de Carvalhaes, diretora da Bracelpa, entidade que reúne fabricantes de celulose e papel.

“Desde janeiro, a demanda por papéis para imprimir e escrever caiu 25%. A demanda pelo reciclado teve queda semelhante”, diz Elizabeth. O mercado nacional de papéis para imprimir e escrever é de 1,2 milhão de toneladas/ano, das quais 10% são papel reciclado.

Costumamos considerar o papel reciclado como a melhor alternativa para diminuir o impacto ambiental, mas com a disseminação do papel proveniente de áreas manejadas sustentavelmente – o famoso selo FSC – o papel branco certificado tem conseguido equiparar o impacto ambiental através do manejamento sustentável da matéria prima e chegamos a um ponto onde está praticamente igual. De acordo com o Elizabeth de Carvalhaes, diretora da Bracelpa, “O papel branco de origem certificada é equivalente ao papel reciclado, em termos de impacto ambiental, pois ambos têm origem em florestas plantadas”.

Vale lembrar que mesmo poupando um grande número de árvores,a reciclagem também é uma atividade industrial que consome energia e polui, portanto a melhor maneira de diminuirmos o impacto ambiental é criarmos uma consciência ambiental de redução do uso de papeis.

Mais informações
FunVerde – Papel Reciclado x Papel Certificado

Fontes: O Estado de S. Paulo e Revista Globo Rural.

Bíblia Ecológica

blogNão costumo me adentrar a assuntos religiosos mas para minha surpresa encontrei esse dias a notícia da impressão da “primeira bíblia ecológica feita no Brasil e no mundo”, lançada no dia 14 de abril de 2009, em Brasília (DF).

A eco-bíblia, impressa na gráfica própria da SBB, foi solicitada pelo Instituto Gênesis e contém recursos como “A Carta da Terra”, textos sobre desenvolvimento sustentável, cidadania e responsabilidade social, quatro temas que são básicos no programa. Adianto que não sei o conteúdo e a interpretação que deram aos textos, portanto me atento ao que me interessa, a produção do material.

Com uma tiragem de 3 mil exemplares e custo unitário de R$ 20,90, a eco-blíblia apresenta o formato 13,5 x 21, 873 páginas e foi feita com materiais ambientalmente corretos, papel certificado, encadernação da brochura leva laminação fosca biodegradável e encarte impresso em papel reciclado no processo Aquacolor. A única limitação foi manter o papel bíblia, caso contrário ela ficaria com um tamanho enorme.

Imagino que tenha ocorrido uma perda no aproveitamento do papel pois trabalhando com 29 cadernos teriamos o total de 876 páginas, invés das 873 páginas utilizadas. Já no formato, aproveitou-se bem evitando perda em excesso.

Estou aguardando o email do Instituto Gênesis com mais informações. Blog da EcoBíblia

Palestra sobre a EcoBíblia.