Enfim, CONAR! Regulamentação da publicidade pelo fim da banalização.


Fui surpreendido pela citação no blog SustentaNews em que comenta a nova regulamentação do CONAR sobre o uso da sustentabilidade na publicidade. Até que enfim, né CONAR?!

É só ligar a TV e abrir qualquer revista para ver que o termo virou quase um bordão para todo mundo que quer vender mais e mostrar que virou verde.

Estou escrevendo este post e neste exato momento passa na TV uma propaganda dos pneus verdes. PNEUS VERDES??? Não eram os pneus uma das maiores fontes de poluição global? A assinatura do comercial “Mais pneu para voce mais estrada para o planeta”, deixa um cheiro forte de borracha queimada no ar? E a nova empresa de petróleo verde que garante que a extração é sustentável com o barril de petróleo envolto em folhas? E a propaganda de motos que fala “Quanto mais você andam, mais você proteje o meio ambiente”. AAAHHHNNNN????

Concordo que quanto mais ambientais corretos sejam os produtos melhor para a sociedade mas a publicidade sempre ligada as transformações sociais soube bem aproveitar-se da questão ambiental para iludir e incentivar o consumo. Aí que entra o papel importante do CONAR: dar uma segurada nas afirmações muitas vezes ilusórias e sem comprovação e não banalizar o termos sustentabilidade.

Um anúncio que cite a sustentabilidade deve, assim, conter apenas informações ambientais passíveis de verificação e comprovação, que sejam exatas e precisas, não cabendo menções genéricas e vagas. E as regras são claras.

1. CONCRETUDE
A teoria deve corresponder a prática concreta. A publicidade de condutas sustentáveis deve ser real e condizente com a postura real da empresa e se ocorrer uma promessa futura isso deve estar claro que é uma expectativa e não algo feito. Ou seja, se é, É!

2. VERACIDADE
Tudo que é veiculado deve ser verdadeiro e real, com possibilidade de verificação e comprovação. As informações devem ser detalhadas e de fácil acesso através de fontes materiais, websites, SACs (Seviços de Atendimento ao Consumidor) etc.

3. EXATIDÃO E CLAREZA
Sabe aquele texto difícil de entender claramente? Esqueça! As informações veiculadas deverão ser exatas e precisas, expressas de forma clara e em linguagem compreensível, não ensejando interpretações equivocadas ou falsas conclusões.

4. COMPROVAÇÃO E FONTES
Junto com a VERACIDADE, os responsáveis pelo anúncio devem citar os dados e as fontes externas de onde vieram tais informações socioambientais comunicadas.

5. PERTINÊNCIA
Na minha opinião esta vai ser a regra que vai causar mais dor de cabeça para as empresas pois afinal, todo mundo é verde né? Desde a exploradora de petróleo no meio da floresta a fabricante de pneus se valem do termo para dar aquela sensação alívio para os consumidores. Aqui as informações “verdes” devem ter uma relação lógica com a área de atuação das empresas, e/ou com suas marcas, produtos e serviços, em seu setor de negócios e mercado. Aquele papo de fazemos o básico e somos verdes não cola mais. O mero cumprimento de disposições legais e regulamentares a que o Anunciante se encontra obrigado, não vale para se garantir.

6. RELEVÂNCIA
Os benefícios socioambientais comunicados deverão ser significativos em termos do impacto global que as empresas, suas marcas, produtos e serviços exercem sobre a sociedade e o meio ambiente – em todo seu processo e ciclo, desde a produção e comercialização, até o uso e descarte.

7. ABSOLUTO
Sabemos muito bem que não existem ação humana que não gere resíduos e tendo em vista que não existem compensações plenas, que anulem os impactos socioambientais produzidos pelas empresas, a publicidade não comunicará promessas ou vantagens absolutas ou de superioridade imbatível. A premissa agora é que as ações de responsabilidade socioambiental não serão mais comunicadas como evidência suficiente da sustentabilidade geral da empresa, suas marcas, produtos e serviços.

8. MARKETING RELACIONADO A CAUSAS
E a última é o velho papo de agregar causas e movimentos aos produtos e marcas. A publicidade explicitará claramente a(s) causa(s) e entidade(s) oficial(is) ou do terceiro setor envolvido(s) na parceria com as empresas, suas marcas, produtos e serviços. O anúncio não poderá aludir a causas, movimentos, indicadores de desempenho nem se apropriar do prestígio e credibilidade de instituição a menos que o faça de maneira autorizada.

Depois de ler isso tudo, lembram dos 7 pecados do greenwashing?

Mais informações no site do Conar.

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3 responses to this post.

  1. […] não é que o post sobre a a nova regulamentação do CONAR rendeu […]

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  2. […] não é que o post sobre a a nova regulamentação do CONAR rendeu […]

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