Reaproveitando a primeira impressão


ecocard1

Semana passada passei a acompanhar no Brainstorm9 um post sobre uma consultora ambiental e seu cartão de visitas. O trabalho em si não achei tão novidade pois já conhecia a idéia e até cheguei a produzi um projeto parecido para o Ciclo Natural quando projetava os cartões do grupo.

Muitas idéias foram debatidas, posições defendidas e por vezes o clima chegou a ficar tenso entre quem acompanhava, mas o que me chamou atenção foram as opiniões diversas e, muitas vezes, controversas sobre a viabilidade do projeto e seu impacto. A maioria das críticas negativas se valeu do argumento que o material era feio, que ninguém ia gostar de receber um pedaço de lixo, que a peça era “pseudo-ecológica, marketing enganoso“, e que lugar de lixo é no lixo. Mas se a consultora é ambiental, ela provavalmente trabalha com lixo ou com algo do tipo. E eis a grande sacada, valer-se de seu objeto de estudo para comunicar.

Essa característica me fez perceber como a maioria das pessoas tem dificuldade em encarar o lixo como fonte de matéria-prima a partir do reaproveitamento de materiais. Isso reflete-se no cotidiano e demonstra a falta de prática em estabelecer uma nova relação de realidade com um dos maiores problemas mundiais.

carimbo02

Normalmente um cartão comercial utiliza papel com gramatura próxima de 230g/m, tintas solventes inorgânicos e metais pesados em sua composição em ambos os lados (4/4), laminações e verniz localizado. O principal é perceber o quanto poupa-se e diminui-se o impacto ambiental com um projeto como esse.

Primeiro o papel não precisará ser produzido nem reciclado. Ele ja está lá e não irá diretamente para o lixo, aumentando o seu tempo de aproveitamento. Depois, não gasta-se energia elétrica para o funcionamento de máquinas em gráficas, já que o processo é todo feito manualmente. O máximo que poderá acontecer é o material voltar ao lixo com os dados da consultora impressos. As tintas para carimbo normalmente apresentam base de álcool e materiais voláteis, que são menos agressivas que as tintas offset. Pode se dizer ainda que na produção do carimbo usa-se plástico e metais e que sua produção polui o ambiente,  é poluente, porém temos que lembrar que a utilização é reutilizável diversas vezes.

Para produzir-se uma folha de papel em branco, reciclada, com coat ou sem coat, corta-se árvores e gasta-se energia e se emite poluição o suficiente. Já você pegar um papel que não terá uso e reaproveita-lo para divulgar a sua informação, é um processo bem mais limpo. Quando no final das contas, a função de um cartão de visitas é tornar-se lembrado em meio a tantos outros que recebemos,  este o projeto já fala por si. Para alguns designers um simples pedaço de papel velho,  para os clientes um pedaço de “lixo” cheio de significados. A Natureza agradece.

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3 responses to this post.

  1. Posted by mai silva on 19/05/2009 at 14:01

    já vi um cartão muito legal feito de maneira parecida… o suporte era embalagem tetra pak e o texto foi serigrafado. se não me engano, era da tatil design e era bem bonito.
    vou providenciar um para você disponibilizar imagens aqui

    Responder

  2. É como tu disse, a principal função deste tipo de artifício é ser lembrado pelos outros, deixar uma marca. Entretanto, as pessoas são extremamente aversas à mudança e tirá-las da zona de conforto pode ser um trabalho difícil, mas não impossível.

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  3. Ótima Solução!!

    Responder

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